Embora sejam maioria, Salvador é apenas a 24ª capital em proporção de católicos

A cidade de Salvador surpreendeu em pesquisa sobre religiosidade realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e apareceu como a segunda do país em número de pessoas que se dizem sem religião. Os dados divulgados pela FGV nesta terça-feira (22) mostraram que a capital baiana só perde para Boa Vista (RR). Ao todo, 17,07% dos entrevistados soteropolitanos  disseram não pertencer a nenhum grupo religioso. Ao mesmo tempo, mesmo banhada pela Baía de Todos-os-Santos e com o marco de possuir 365 igrejas, a cidade de forte herança católica é apenas a 24ª em número de praticantes desta religião dentre as 27 capitais.

Para o historiador e diretor da Fundação Pedro Calmon (FPC), Ubiratan Castro, os dados atestam a característica profana dos soteropolitanos. “É bem possível mesmo que o povo menos religioso seja o de Salvador. Isso aqui sempre foi uma cidade com uma população mais ligada aos prazeres da carne. Não é nem o ateísmo, é a irreligião. Pode ter 500 igrejas, a galera prefere beber cerveja”, declarou. Já o antropólogo Roberto Albergaria destacou também que a pesquisa taxa como “sem religião”, mas os números também podem significar “sem religião definida”.

Ele aponta a alternância de credos como marca do povo local. “O que caracteriza a Bahia é essa multiplicidade de credos, essa volubilidade baiana. O pessoal do candomblé manda rezar missa também. O baiano alterna seus credos como troca de cueca no verão. No fundo, o baiano é católico por tradição, é espírita por desespero, é candomblista por ostentação cultural e ele passa a se tornar cada vez mais evangélico por amor ao dinheiro”, polemizou. BN