MACONHA

“Senhores passageiros, pedimos a todos que permaneçam sentados após o pouso. Teremos um procedimento de segurança.” A frase, ouvida na manhã de sexta-feira (7) pelo sistema de som do voo JJ 3297, da TAM, mal anunciava o cenário que estava por vir.

Eram 7h32 quando o avião, vindo de Porto Alegre, pousara em Guarulhos. Passaram cinco minutos. Dez. Vinte…

De repente, o comandante: “A Polícia Federal virá em poucos minutos. Um passageiro será detido por fato ocorrido com uma comissária.”

Assédio? Abuso? Das últimas fileiras, perto de onde estava a reportagem da Folha, veio a resposta: uma comissária encontrara maconha no banheiro da aeronave e apontara um passageiro de 19 anos como o suposto “dono”.

Foi o pontapé para que o movimento do “quero sair” virasse uma “mini-marcha” da maconha à bordo.

“Toma uma atitude aí, tchê!”, gritava um passageiro idoso, não sem um colega deixar de emendar, aos risos: “Mas é só um ‘baseadinho!'” CONTINUE LENDO…

De repente, um famoso “maconha é remédio!” vindo do escritor e apresentador Eduardo Bueno, o Peninha. “Tem que prender quem não fuma!”, gritou, na tentativa de “liberar” se não a legalização, pelo menos os passageiros.

Antes que a polícia viesse, o relógio já contava 8h55 -uma hora e 20 minutos trancados no “voo do baseado”.

Foi aí que um grupo de passageiros quis sair. “A escada está aqui, vamos abrir a porta e sair!” Os comissários tentavam bloquear a saída. Minutos depois, chegava a PF.

Com a espera total de uma hora e 50 minutos (mais do que o tempo de voo) ao menos 90 passageiros perderam conexões, segundo funcionários. O suspeito, que iria (e ainda vai) passar férias em Alagoas, foi conduzido pela PF. Ouvido, negou tudo.

Segundo a PF, a comissária relatou que havia 18 “baseados” em um maço de cigarros. A polícia não informou a quantia (a bordo, o zum-zum-zum dava conta que era menos e foi parar na privada).

Ao final da confusão, o jovem assinou um termo circunstanciado e foi liberado.

“É fácil acusar. Ele tem 19 anos. Queria saber se eu que tivesse ido ao banheiro, se ela ia me acusar”, defendeu a mãe, que pediu anonimato.

“Ele colocou a vida de todo mundo em risco”, justificou um funcionário da TAM, sobre o risco de incêndio para quem fuma dentro do avião.

Com a demora para a chegada da PF, que alegou estar atribulada com a demanda pela manhã, quem acabou “preso” foram outros passageiros.

“Vou perder 12 horas nessa brincadeira. Me ferrei por meio baseado que eu nem vi”, disse a estudante Anelise Wätcher, 20, que perdeu um voo para Lima, e ainda esperava por outro na noite de sexta.

Em nota, a TAM diz que o atraso ocorreu devido ao “passageiro indisciplinado” -nome técnico dado a passageiros que descumprem regras-, diz que seguiu as normas e que “prestou a assistência” aos que perderam conexões”.

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