A ARTE DE ROUBAR DOS POBRES
É pesada, muitíssimo pesada, a denúncia que a Veja estampou em seis páginas centrais da revista que está a circular, atingindo, em cheio, o PT baiano.
A delação foi feita por uma militante petista, Dalva Sele, presidente do Instituto Brasil, o que agrava, em muito, o escândalo. De acordo com o divulgado na reportagem da revista, Dalva, textualmente, afirma, na abertura da denúncia, que, “com os recursos dos convênios para a construção de casas populares, a gente empregava pessoas do PT, dava apoio a militantes que estivessem passando por dificuldades e alimentava as campanhas”.
A partir daí desfila denúncias escabrosas atingindo nomes como os do candidato ao governo Rui Costa, o senador Walter Pinheiro, o deputado Nelson Pelegrino, o deputado e ex-ministro Afonso Florence e o presidente da Embratur, Vicente José de Lima Neto. “. Leia a coluna completa de Samuel Celestino.

Todos os denunciados, de acordo com Dalva, recebiam dinheiro que deveria ser aplicado no projeto de construção das casas populares.
Não há momentos piores ou melhores para detonar, como é o caso deste escândalo divulgado pela Veja, revista que se especializou em denúncias. Dentre as quais as que envolvem a Petrobras, principalmente a última, que trouxe à luz um número indecente de políticos, entre os quais três governadores, 25 deputados e seis senadores.
A origem emergiu do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, que balança a República a partir da troca das denúncias por uma delação premiada, consequentemente a diminuição da sua pena.
Essa denúncia que abala a política baiana, porém, chega num pior momento, porque alcança o PT baiano em rota final da campanha eleitoral. E de forma devastadora.
Como sempre acontece, os denunciados negam que tenham sido beneficiários pelos recursos que seriam destinados às casas populares. Isso não basta, porém. Têm a obrigação não de apenas negar, como é feito por todos os acusados, mas desmantelar o que disse a denunciante, além de comprovar que nada aconteceu e, ainda, responder com processos judiciais embasados em provas.
Imagina-se que quem denunciou fatos tão deprimentes deve ter elementos comprobatórios para uso em caso de processo. Ademais, ao balançar os denunciados colocando-os em situação dificílima, atinge-os na reta final da campanha eleitoral e, bem provavelmente, os fatos serão explorados à larga no horário eleitoral da propaganda política, como sempre acontece em casos assim.
Costuma-se ficar difícil rebater sem provas, mas ainda pior será desmanchar o estrago eleitoral. Não entendo, nem posso entender que seja verdadeiro o que se divulga, embora a oposição na Assembleia já os tenha denunciados anos atrás, e o Ministério Público parece não ter tomado conhecimento, o que será obrigado a fazê-lo agora, como afirma a promotora Rita Tourinho, que há quatro anos está na rota do escândalo, mas alega que não tinha pista dos beneficiados, o que agora passa a ter com a delação da petista presidente do Instituto Brasil, que nasceu na Bahia em forma de ONG.
É um sacolejo e tanto na campanha eleitoral com repercussão nacional. Como jornalista, prefiro aguardar que provas consistentes cheguem à luz. Enquanto isso não acontece, fica valendo a denúncia. Deve-se acompanhar se haverá, ou não, estragos na campanha, e o que poderá vir a acontecer até o dia 5 de outubro, quando ocorrerão as eleições.

*Coluna publicada no jornal A Tarde desta terça-feira (23).

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