POLÍTICA | ENCONTRO ENTRE GEDDEL E ZÉ RONALDO É INTERPRETADO COMO RECADO AO PALÁCIO DE ONDINA

O encontro entre o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) e o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (União), ocorrido nesta terça-feira (20), na residência do cacique emedebista em Salvador, foi interpretado por integrantes do governo Jerônimo Rodrigues (PT) como um gesto político calculado. Nos bastidores, a leitura predominante é a de que o ex-ministro buscou sinalizar que o partido dele mantém alternativas caso não seja preservado o espaço na chapa majoritária.
A avaliação no núcleo do governo é de que Geddel quis deixar claro que, se o MDB perder a indicação da vice, pode fazer movimento oposto ao de 2022 e retornar à oposição. O alerta ocorre em meio às negociações do PT com o PSD sobre a composição para o Senado, que passaram a pressionar diretamente o espaço ocupado hoje pelo vice-governador Geraldo Júnior (MDB), cuja reeleição é defendida pelos irmãos Vieira Lima.
Além disso, um novo fator passou a preocupar o MDB, embora em menor grau: a iminente filiação do prefeito de Jequié, Zé Cocá, ao PSB. Com densidade eleitoral superior à de Geraldo Júnior, Cocá surge como aposta de setores socialistas para a vice, ampliando a disputa interna e reduzindo a margem de conforto dos emedebistas.
Publicamente, Geddel e José Ronaldo minimizaram o encontro, afirmando que a conversa não tratou de alianças ou filiações, mas apenas de política de forma genérica. Ainda assim, as especulações ganharam corpo. Uma delas aponta que o prefeito teria sinalizado abertura para levar o MDB de volta à oposição, com eventual alinhamento à chapa liderada por ACM Neto. Nesse caso, José Ronaldo seria vice como emedebista.
Outra especulação que surgiu a partir do encontro, considerada mais palatável ao Palácio, indica que José Ronaldo poderia ser sondado para compor como vice em uma eventual chapa governista, pelo MDB.
Alguns fatores alimentaram as especulações, sobretudo o fato de José Ronaldo ter se encontrado com o cacique emedebista após se reunir com o prefeito Bruno Reis (União), no Palácio Thomé de Souza.
No governo, a aposta é claramente na segunda hipótese. A primeira é vista como improvável, diante do espaço que o MDB ocupa atualmente na administração estadual. Ainda assim, aliados de Jerônimo admitem, em tom reservado, que quando se trata dos irmãos Vieira Lima, convém atenção redobrada: o silêncio, muitas vezes, fala mais alto que o discurso.


















