
{"id":44144,"date":"2014-11-02T18:36:31","date_gmt":"2014-11-02T21:36:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/?p=44144"},"modified":"2014-11-02T18:36:31","modified_gmt":"2014-11-02T21:36:31","slug":"novo-virus-espalha-medo-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/2014\/11\/02\/novo-virus-espalha-medo-na-bahia\/","title":{"rendered":"NOVO V\u00cdRUS ESPALHA MEDO NA BAHIA"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/chicun.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-44145\" src=\"http:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/chicun-500x313.jpeg\" alt=\"chicun\" width=\"500\" height=\"313\" srcset=\"https:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/chicun-500x313.jpeg 500w, https:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/chicun-700x439.jpeg 700w, https:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/chicun-150x94.jpeg 150w, https:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/chicun.jpeg 754w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Dobrado, contorcido de dor. O significado de chikungunya na l\u00edngua maconde, um dos idiomas oficiais da Tanz\u00e2nia -onde a &#8220;prima da dengue&#8221; nasceu- est\u00e1 na boca do povo de Feira de Santana, 108 km de Salvador (BA).<\/p>\n<p>A cidade, de 600 mil habitantes, vive uma epidemia da doen\u00e7a que est\u00e1 se alastrando pelo pa\u00eds e promete ser a nova preocupa\u00e7\u00e3o do ver\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Deixa a gente travado, d\u00f3i todas as juntas do corpo, m\u00e3os, bra\u00e7os, pernas. At\u00e9 pra pegar um copo \u00e9 dif\u00edcil&#8221;, diz Luiz Andr\u00e9 Pereira da Silva, 33, morador no bairro George Am\u00e9rico, que concentra quase 40% dos 371 casos confirmados e 1.161 suspeitos.<\/p>\n<p>Na rua onde ele mora, T1, ao menos oito vizinhos tiveram &#8220;chiku&#8221;, como a doen\u00e7a foi apelidada. Nas ruas pr\u00f3ximas, todas com letras em vez de nomes, a cena se repete. A febre chikungunya j\u00e1 visitou o alfabeto inteiro.<\/p>\n<p>O v\u00edrus \u00e9 transmitido pelo mesmo mosquito da dengue (Aedes aegypti). Dor, muita dor nas articula\u00e7\u00f5es \u00e9 a principal queixa dos moradores, embora na fase aguda a doen\u00e7a tamb\u00e9m provoque febre alta, mal-estar e manchas vermelhas pelo corpo -assim como na &#8220;prima&#8221; dengue.<!--more--><\/p>\n<p>Dados da literatura m\u00e9dica mostram que 95% das pessoas infectadas pelo chikungunya ter\u00e3o os sintomas. Na dengue, eles se manifestam s\u00f3 em 40% a 50% dos casos.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o mata, mas deixa a gente quebrado. \u00c9 uma dor que voc\u00ea n\u00e3o aguenta&#8221;, relata o pedreiro Joselito Pereira dos Santos, 49, que convive com o sintoma h\u00e1 dois meses.<\/p>\n<p>Nos momentos de maior crise, ele vai at\u00e9 o posto de sa\u00fade em busca de inje\u00e7\u00f5es de dipirona para aliviar a dor. Na fam\u00edlia dele, mulher, filho, nora e cunhadas j\u00e1 tiveram &#8220;chiku&#8221;. Todos se queixam que a dor, em maior ou menor intensidade, ainda continua mesmo ap\u00f3s semanas do diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>A letalidade da doen\u00e7a \u00e9 baixa (1 morte para 1.000 casos). Em at\u00e9 um ter\u00e7o dos casos, as dores articulares continuam por um m\u00eas ou mais.<\/p>\n<p>Em 10%, podem durar anos e at\u00e9 resultar em artrite cr\u00f4nica. &#8220;S\u00e3o realmente dores muito fortes e incha\u00e7o, especialmente nas articula\u00e7\u00f5es das m\u00e3os, p\u00e9s, cotovelo e joelho&#8221;, explica o infectologista Artur Timerman, do Hospital Edmundo Vasconcelos, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><b>&#8216;CHIKUMACONHA&#8217;<\/b><\/p>\n<p>Entre a molecada da Pedra Ferrada, bairro pobre, com ruas sem asfaltamento e que concentra altas taxas de criminalidade, a doen\u00e7a j\u00e1 ganhou outro apelido: &#8220;chikumaconha&#8221;. Ningu\u00e9m quis explicar a raz\u00e3o do nome.<\/p>\n<p>&#8220;O Mois\u00e9s t\u00e1 com chikumaconha, Mois\u00e9s t\u00e1 com chikumaconha&#8221;, dizia Samuel, 8.<\/p>\n<p>O primo Mois\u00e9s, 16, abatido e ainda se recuperando da doen\u00e7a, foi se queixar com a tia Marinalva Gon\u00e7alves, que tamb\u00e9m j\u00e1 teve &#8220;chiku&#8221;. &#8220;N\u00e3o gosto dessas brincadeiras, tia. Vou bater nele.&#8221; Samuel parou imediatamente.<\/p>\n<p>A febre chikungunya n\u00e3o escolhe idade. Embora 56% dos casos de Feira de Santana estejam concentrados entre 20 e 49 anos, nove crian\u00e7as abaixo de um ano e 21 idosos acima de 80 est\u00e3o entre os casos investigados.<\/p>\n<p>Nos mais velhos, os sintomas de dor tendem a ser piores. &#8220;J\u00e1 tomei tr\u00eas inje\u00e7\u00f5es pra dor e a danada n\u00e3o passa. N\u00e3o desejo isso nem para os inimigos que eu n\u00e3o tenho&#8221;, comentava o aposentado Ant\u00f4nio Almeida Borges, 64, numa unidade de sa\u00fade da fam\u00edlia do bairro.<\/p>\n<p>A poucos metros dali, a aposentada Tereza de Souza, 61, sa\u00eda mancando do ambulat\u00f3rio ap\u00f3s tamb\u00e9m receber uma inje\u00e7\u00e3o para as fortes dores e incha\u00e7o nas articula\u00e7\u00f5es. &#8220;D\u00f3i, menina, d\u00f3i. J\u00e1 tive dengue, mas chiku \u00e9 muito pior.&#8221;<\/p>\n<p>Diab\u00e9tica e hipertensa, Tereza faz parte do grupo considerado de risco para o agravamento dos quadros de chikungunya e que precisa de acompanhamento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>&#8220;Quanto mais idade e comorbidades [outras doen\u00e7as associadas], mais chance de ter artrite e precisar de tomar corticoides e imunossupressores. J\u00e1 houve relato at\u00e9 de idoso que precisou de pr\u00f3tese de quadril&#8221;, diz o infectologista Esper Kall\u00e1s, professor da USP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dobrado, contorcido de dor. O significado de chikungunya na l\u00edngua maconde, um dos idiomas oficiais da Tanz\u00e2nia -onde a &#8220;prima da dengue&#8221; nasceu- est\u00e1 na boca do povo de Feira de Santana, 108 km de Salvador (BA). 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