
{"id":39051,"date":"2014-07-18T09:13:07","date_gmt":"2014-07-18T12:13:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/?p=39051"},"modified":"2014-07-18T09:13:07","modified_gmt":"2014-07-18T12:13:07","slug":"morre-aos-73-anos-o-escritor-baiano-joao-ubaldo-ribeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/2014\/07\/18\/morre-aos-73-anos-o-escritor-baiano-joao-ubaldo-ribeiro\/","title":{"rendered":"MORRE AOS 73 ANOS O ESCRITOR BAIANO JO\u00c3O UBALDO RIBEIRO"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/w2.c24hsttc.net\/uploads\/RTEmagicC_98ba21e8cf.jpg.jpg\" width=\"500\" \/><\/p>\n<p><strong><em>Correio<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O escritor Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro morreu na madrugada desta sexta-feira (18), v\u00edtima de um problema no pulm\u00e3o. O baiano, que nasceu na Ilha de Itaparica, tinha 73 anos e estava em casa no momento em que teve uma embolia pulmonar.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Ubaldo Os\u00f3rio Pimentel Ribeiro\u00a0morava no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro e era o 7\u00ba ocupante da cadeira n\u00famero 34 da Academia Brasileira de Letras desde 1993, quando se tornou sucessor de Carlos Castello Branco.<\/p>\n<p>Entre as suas obras mais famosas est\u00e3o &#8220;Viva o povo brasileiro&#8221;, &#8220;A arte de roubar as galinhas&#8221;,\u00a0\u201cSargento Get\u00falio\u201d, \u201cO sorriso dos lagartos\u201d e \u201cA casa dos budas ditosos\u201d.\u00a0Em 2008, o escritor ganhou o pr\u00eamio Cam\u00f5es, considerado o mais importante\u00a0da literatura brasileira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de escritor, o baiano era\u00a0jornalista, roteirista e professor. Jo\u00e3o era\u00a0formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), mas nunca exerceu a profiss\u00e3o como advogado.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro\u00a0deixa quatro filhos.\u00a0Em\u00edlia, Manuela, Francisca e Bento, que \u00e9 ator. Bento ficou conhecido ap\u00f3s interpretar\u00a0o personagem Juca na novela\u00a0A Favorita, onde era par rom\u00e2ntico da atriz Claudia Raia, al\u00e9m de ter feito os dois filmes de Tropa de Elite.\u00a0<!--more--><\/p>\n<p>Relan\u00e7amento de sua principal obra<br \/>\nEm janeiro de 2011, o baiano comemorou seus 70 anos com o relan\u00e7amento do livro Viva o Povo Brasileiro, um dos seus cl\u00e1ssicos mais lidos. Em entrevista \u00e0 revista \u00c9poca, ele admitiu n\u00e3o sentir nenhum medo da morte, mas\u00a0da proximidade dela. &#8220;N\u00e3o tenho medo.\u00a0Afinal de contas, quem n\u00e3o morre fica velho. Depois de certa idade, esse neg\u00f3cio de mortalidade fica complicado. Antes dos 40, a morte \u00e9 uma coisa que s\u00f3 acontece com os outros. Depois voc\u00ea come\u00e7a a ver mortes de contempor\u00e2neos. Quando chega aos 70, voc\u00ea nem brinca muito com esse assunto porque d\u00e1 depress\u00e3o&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Medo da morte como fato, n\u00e3o me assusta. Mas duas coisas devem ser terr\u00edveis&#8230; Primeiro \u00e9 o sujeito sentir a proximidade da morte, seja por falta de ar ou por um mal-estar qualquer. Outra \u00e9 receber a not\u00edcia de que est\u00e1 condenado. Falar em morte com coroa \u00e9 como falar de corda em casa de enforcado&#8221;, completou.<\/p>\n<p>Alcoolismo<br \/>\nJo\u00e3o Ubaldo tinha s\u00e9rios problemas com o \u00e1lcool. O escritor, que come\u00e7ou a beber aos 53 anos, chegou a frequentar o grupo Alco\u00f3licos An\u00f4nimos e\u00a0conseguiu superar o v\u00edcio com ajuda da religi\u00e3o. &#8220;Foi uma luta de oito anos, complicad\u00edssima. Tudo come\u00e7ou com uma depress\u00e3o, em 1994, quando voltei da Copa do Mundo dos Estados Unidos. Uma depress\u00e3o sem motivo, mas eu ca\u00ed de cama, s\u00f3 n\u00e3o quis me suicidar. Tomei todos os rem\u00e9dios poss\u00edveis. Eu, que j\u00e1 bebia bastante, tentei curar a depress\u00e3o com \u00e1lcool, que \u00e9 a pior burrice que algu\u00e9m pode fazer&#8221;, contou em entrevista \u00e0 revista Veja.<\/p>\n<p>&#8220;A\u00a0depress\u00e3o vai embora durante tr\u00eas horas, quatro horas, depois volta pior. Voc\u00ea entra numa espiral descendente da qual \u00e9 dif\u00edcil sair. Fiquei oito anos nesse inferno, inchado, tremendo. O auge\u00a0foi quando tive uma pancreatite que quase me levou \u00e0 morte. Passei quinze dias na unidade semi-intensiva do hospital. Tive a sorte de ser um dos poucos casos de pancreatite que n\u00e3o deram dor nenhuma. Dizem que as dores associadas a essa doen\u00e7a est\u00e3o entre as piores que se podem suportar, completou.<\/p>\n<p>&#8220;Superei o problema pela via da religi\u00e3o. Eu n\u00e3o me submeto ao minist\u00e9rio de nenhuma cren\u00e7a, embora acredite em Deus, reze todas as noites e me considere crist\u00e3o. H\u00e1 algum tempo, por uma s\u00e9rie incr\u00edvel de coincid\u00eancias que n\u00e3o vou relatar aqui, tornei-me devoto de Nossa Senhora do Perp\u00e9tuo Socorro. Eu dizia que quase morri de pancreatite. Depois que sa\u00ed do hospital, voltei a meus velhos h\u00e1bitos de beber. Acordava ced\u00edssimo, por volta das 5 da manh\u00e3, ia comprar jornal e passava pelos bares que fecham tarde para comprar u\u00edsque. \u00c0s 10 da manh\u00e3 j\u00e1 estava b\u00eabado, e assim passava o dia inteiro. Logo tive o an\u00fancio de que a pancreatite estava voltando: engulhos em seco. Eu acordava e ia direto para o vaso sanit\u00e1rio, para uma sess\u00e3o de n\u00e1useas. Isso piorava a cada dia, e uma segunda pancreatite para mim seria a morte. At\u00e9 que uma noite, na hora de dormir, eu rezei a Nossa Senhora: &#8220;Se amanh\u00e3 eu amanhecer sem n\u00e1useas, eu paro de beber&#8221;. Acordei e, pela primeira vez em muito tempo, n\u00e3o tive engulhos. Desde ent\u00e3o, e isso foi h\u00e1 tr\u00eas anos, n\u00e3o bebi mais nada. Todos os fins de semana vou com meus amigos ao boteco e s\u00f3 tomo guaran\u00e1 diet. O mais incr\u00edvel \u00e9 que n\u00e3o sinto a m\u00ednima vontade de beber. Eu poderia dizer que tenho uma imensa for\u00e7a de vontade, mas n\u00e3o seria verdade. Eu n\u00e3o fa\u00e7o esfor\u00e7o nenhum&#8221;, relatou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Correio O escritor Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro morreu na madrugada desta sexta-feira (18), v\u00edtima de um problema no pulm\u00e3o. O baiano, que nasceu na Ilha de Itaparica, tinha 73 anos e estava em casa no momento em que teve uma embolia pulmonar. 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