
{"id":22954,"date":"2012-12-22T10:58:29","date_gmt":"2012-12-22T13:58:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/?p=22954"},"modified":"2012-12-22T10:58:29","modified_gmt":"2012-12-22T13:58:29","slug":"fechamento-da-azaleia-gera-industria-do-caos-e-tem-tudo-a-ver-com-nietzsche","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/2012\/12\/22\/fechamento-da-azaleia-gera-industria-do-caos-e-tem-tudo-a-ver-com-nietzsche\/","title":{"rendered":"FECHAMENTO DA AZALEIA GERA IND\u00daSTRIA DO CAOS E TEM TUDO A VER COM NIETZSCHE"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/CABE\u00c7ALHO_3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-22955\" title=\"CABE\u00c7ALHO_3\" src=\"http:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/CABE\u00c7ALHO_3-414x500.jpg\" alt=\"\" width=\"414\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/CABE\u00c7ALHO_3-414x500.jpg 414w, https:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/CABE\u00c7ALHO_3-580x700.jpg 580w, https:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/CABE\u00c7ALHO_3.jpg 935w\" sizes=\"auto, (max-width: 414px) 100vw, 414px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Por Milton Marinho<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Fui \u00e0 audi\u00eancia com os representantes do governo com os prefeitos da regi\u00e3o sobre o fechamento das unidades de fabrica\u00e7\u00e3o da Vulcabr\u00e1s\/Azaleia e achei a iniciativa do deputado Rosemberg Pinto, boa. Tamb\u00e9m pudera, o fechamento desses galp\u00f5es significa muito desemprego e mais mis\u00e9ria, consequentemente mexe com o quadro pol\u00edtico que se avizinha, isto \u00e9, mexe com o curral de votos desses mesmos representantes, e votos perdidos com os trabalhadores n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de recuperarem, n\u00e3o. 2014 v\u00eam a\u00ed. V\u00f3s, tendes muito cuidado com o retorno.<!--more--><\/p>\n<p>No poder, os nobil\u00edssimos deputados querem continuar dando as cartas.\u00a0\u00a0Portanto, n\u00e3o fizeram mais que suas obriga\u00e7\u00f5es virem aqui dar satisfa\u00e7\u00f5es aos executivos e demais representantes da regi\u00e3o, satisfa\u00e7\u00f5es meia-bocas, pois satisfeitos ficariam todos, se \u201cOs Capas-Pretas\u201d, como diz meu amigo Andr\u00e9 Dantas, &#8211; j\u00e1 tivessem vindo anunciar o presente de fim de ano para todos, o que seria a revoga\u00e7\u00e3o das impiedosas medidas dos empres\u00e1rios do ramo cal\u00e7adista em quest\u00e3o. A esperan\u00e7a agora \u00e9 aguardar a resposta dos \u201cCachorros grandes\u201d, express\u00e3o utilizada por Geraldo Sim\u00f5es quando de sua interven\u00e7\u00e3o na audi\u00eancia: Governador, presidenta e empres\u00e1rios que ir\u00e3o decidir em mais uma rodada de negocia\u00e7\u00f5es com os ditos-cujos e famigerados empres\u00e1rios do setor. Pelo menos isso. Depois de muita conversa fiada e paparicos entre as \u201cotoridades\u2019.<\/p>\n<p>Vale lembrar que nas rodadas anteriores, o governo numa queda de bra\u00e7o, com os mesmos grand\u00f5es da Grendene, cedeu em incentivos, isen\u00e7\u00f5es e estruturas ao ponto de pagar ao empres\u00e1rio para ele explorar m\u00e3o de obra barata em nossa regi\u00e3o, isto n\u00e3o deu nem para molhar o bico. \u201cos cabras\u201d, estes, \u201cgatos de hotel\u201d quanto mais comem mais miam. Filosofia de vida sem nenhuma poesia. O progresso acompanhado da desgra\u00e7a como legado. E agora, para onde v\u00e3o estas pessoas, nossos trabalhadores?<\/p>\n<p>O governo dirigindo o estado, que somos n\u00f3s, continuou perdendo para os ditos cujos do sul separatistas, pois unidades foram fechadas e o povo trabalhador posto no olho da rua, sob alega\u00e7\u00e3o de sucessivos preju\u00edzos em suas unidades.<\/p>\n<p>Geraldo Sim\u00f5es, vulgo \u201cPedinha\u201d, fez um discurso de esquerda da mol\u00e9stia! Levantou a plateia incauta e desavisada. Veterano na arte da ret\u00f3rica coronelista regional, \u201cMalaquias\u201d, e conhecedor do caminho das pedras, o que lhe rendeu o capcioso apelido. Ele, o \u201cPedinha\u201d de Itabuna, utilizando a m\u00e1xima dos demagogos para conter a maioria irrequieta: Perguntou \u00e1 sua orelha \u00e0 esquerda: \u201cO que \u00e9 que o povo quer ouvir?\u201d, e enfiou o verbo goela \u00e0 dentro, e todos comeram o seu \u201cag\u00e1\u201d. Por fim, resta-nos a esperan\u00e7a do eterno retorno*. Muitas fam\u00edlias morrer\u00e3o de raiva e de fome at\u00e9 l\u00e1. A vinda de Jesus nas nuvens, talvez venha em boa hora Para os trabalhadores, pois nos \u00faltimos dias cada minuto sem a possibilidade de botar o p\u00e3o na mesa, virou uma eternidade. Faz-se urgente uma virada de mesa contra os canalhas que castigam o povo. Quanto \u00e0 esperan\u00e7a, ela existe sim, mesmo que sob a terr\u00edvel amea\u00e7a da grande nuvem de gafanhotos do capitalismo, uma das sete pragas da b\u00edblia que se abate sobre as poucas ind\u00fastrias da regi\u00e3o e sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>O *<strong>Eterno Retorno<\/strong><\/em>\u00a0\u00e9 um conceito desenvolvido pelo fil\u00f3sofo Friedrich Nietzsche (1844-1900), considerado por ele pr\u00f3prio um dos seus pensamentos mais aterrorizadores. Foi durante um passeio em 1881 que Nietzsche refletiu sobre os sentidos das viv\u00eancias em altern\u00e2ncias que se \u201crepetem\u201d. Embora em v\u00e1rias de suas obras, encontramos pistas do que seria o Eterno Retorno, \u00e9 na sua obra\u00a0<em>A Gaia Ci\u00eancia (1882)<\/em>, um dos mais belos livros antes de Nietzsche sofrer das baixas de sua sa\u00fade que ele nos brinda com a ideia mais n\u00edtida do que seria esse conceito:<\/p>\n<p><em>\u201cE se um dia ou uma noite um dem\u00f4nio se esgueirasse em tua mais solit\u00e1ria solid\u00e3o e te dissesse: \u201cEsta vida assim como tu vives agora e como a viveste, ter\u00e1s de viv\u00ea-la ainda uma vez e ainda in\u00fameras vezes: e n\u00e3o haver\u00e1 nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que h\u00e1 de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida h\u00e1 de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequ\u00eancia \u2013 e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as \u00e1rvores, e do mesmo modo este instante e eu pr\u00f3prio. A eterna ampulheta da exist\u00eancia ser\u00e1 sempre virada outra vez \u2013 e tu com ela, poeirinha da poeira!\u201c N\u00e3o te lan\u00e7arias ao ch\u00e3o e rangerias os dentes e amaldi\u00e7oarias o dem\u00f4nio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: \u201cTu \u00e9s um deus e nunca ouvi nada mais divino!\u201d Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu \u00e9s, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: \u201cQuero isto ainda uma vez e in\u00fameras vezes?\u201d Pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, ent\u00e3o, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para n\u00e3o desejar nada mais do que essa \u00faltima, eterna confirma\u00e7\u00e3o e chancela?\u201d<\/em><\/p>\n<p>Segundo analistas, parece que o Eterno Retorno defende a tese de que polos se alternam nas viv\u00eancias numa eterna repeti\u00e7\u00e3o. Cria\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o, alegria e tristeza, sa\u00fade e doen\u00e7a, bem e mal, belo e feio,\u2026 tudo vai e tudo retorna. Por\u00e9m, esses polos n\u00e3o se op\u00f5em, mas s\u00e3o faces de uma mesma realidade, isto \u00e9, um complementa o outro, s\u00e3o cont\u00ednuos de um jogo s\u00f3. Alegria e tristeza s\u00e3o faces de uma \u00fanica coisa experimentada com grau diferente.<\/p>\n<p>A temporalidade n\u00e3o est\u00e1 presente no Eterno Retorno a realidade para Nietzsche n\u00e3o tem uma finalidade nem um objetivo a cumprir, e por isso as altern\u00e2ncias de prazer e desprazer se repetem durante a vida. \u2013 O Eterno Retorno n\u00e3o se reporta a uma demarca\u00e7\u00e3o temporal c\u00edclica e exata, mas \u00e0s nuances de viv\u00eancias que se complementam e d\u00e3o o colorido da vida.<\/p>\n<p>O devir n\u00e3o ocorre de um modo exatamente igual, mas s\u00e3o varia\u00e7\u00f5es de sentidos j\u00e1 vivenciados, faces de uma mesma realidade. A alegria e a tristeza que senti n\u00e3o ser\u00e3o iguais no amanh\u00e3, mas voltarei a experimentar esses estados em suas diferentes varia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o com representantes do governo para esclarecer o fechamento da azaleia n\u00e3o deu em nada, a n\u00e3o ser em esperan\u00e7a, este bem que nos resta, apesar de alguns pol\u00edticos quererem insistir em mat\u00e1-la. Talvez um dia, novas f\u00e1bricas ser\u00e3o abertas em nossa regi\u00e3o e anos depois ser\u00e3o fechadas novamente talvez, estaremos aqui para presenciar tal evento, talvez n\u00e3o. Talvez na pele de nossos filhos e nossos netos, talvez ainda, bateremos cart\u00e3o como funcion\u00e1rios de alguma delas, talvez, deixemos de nos ajoelhar aos p\u00e9s do \u201cdeus mercado\u201d vivendo um ciclo de prosperidade e paz, talvez.<\/p>\n<p>Quem sobreviver ver\u00e1.<\/p>\n<p>Milton Marinho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Milton Marinho Fui \u00e0 audi\u00eancia com os representantes do governo com os prefeitos da regi\u00e3o sobre o fechamento das unidades de fabrica\u00e7\u00e3o da Vulcabr\u00e1s\/Azaleia e achei a iniciativa do deputado Rosemberg Pinto, boa. 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