
{"id":13732,"date":"2012-03-14T16:16:45","date_gmt":"2012-03-14T19:16:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/?p=13732"},"modified":"2012-03-14T16:16:45","modified_gmt":"2012-03-14T19:16:45","slug":"uma-licao-de-anatomia-do-ensino-publico-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/2012\/03\/14\/uma-licao-de-anatomia-do-ensino-publico-brasileiro\/","title":{"rendered":"UMA LI\u00c7\u00c3O DE ANATOMIA DO ENSINO P\u00daBLICO BRASILEIRO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/AULA-DE-ANATOMIA.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-13733\" title=\"AULA DE ANATOMIA\" src=\"http:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/AULA-DE-ANATOMIA-500x440.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/AULA-DE-ANATOMIA-500x440.jpg 500w, https:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/AULA-DE-ANATOMIA.jpg 836w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Perdoe-me apreciadores de meu mediano texto, gostaria que voc\u00eas fossem at\u00e9 o fim. A estrada \u00e9 longa, \u00e9 maior que a mat\u00e9ria e sua transcri\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver dissecado sobre a mesa de opera\u00e7\u00e3o adiante. O corpo do ensino p\u00fablico brasileiro jaz sobre a l\u00e1jea fria da Sib\u00e9ria do ensino p\u00fablico. Eis que recomendo a todos que se unam numa corrente s\u00f3, pois nesse exato momento al\u00e7aremos um voo possivelmente sem volta. Fa\u00e7am o pelo sinal da Santa Cruz, decolaremos agora, rumo \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de nosso apocalipse educacional. Ponham as m\u00e1scaras de oxig\u00eanio, apertem seus cintos e que Deus nos conceda miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Vamos supor que o prefeito Adroaldo tenha realmente dado aumento aos professores da rede municipal; vamos supor que a educa\u00e7\u00e3o de Itoror\u00f3 ande as mil maravilhas, como desenhada pela voz do governo na r\u00e1dio Itapuy e nos informativos de comunica\u00e7\u00e3o pagos com o dinheiro do povo; vamos supor que Itoror\u00f3 seja a fazenda modelo de uma educa\u00e7\u00e3o que realmente prospere e que todos os alunos de sua base ingressem nas universidades e, a partir dali realize seus sonhos.<\/p>\n<p>Vamos supor que os professores n\u00e3o morram de medo desse prefeito&#8230; Vamos supor que o nosso \u00f3rg\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o APLB e demais fiscais do povo estejam realmente zelando pela nossa escola e pelos nossos filhos que estudam na rede p\u00fablica Municipal. Vamos supor&#8230;<!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cada aluno matriculado da escola p\u00fablica custa para o estado, que somos n\u00f3s, a quantia irris\u00f3ria e absurda ao mesmo tempo (como no caso a seguir), de R$ 2.096,68 reais por aluno. No combate \u00e0 evas\u00e3o escolar est\u00e3o os paladinos da justi\u00e7a e as tropas de choques das Secretarias de Educa\u00e7\u00e3o dos estados e munic\u00edpios brasileiros, salvos honrosas exce\u00e7\u00f5es, empunhando suas espadas, bradando a favor do ensino p\u00fablico de qualidade. As \u201cChirras\u201d e os \u201cHemans\u201d, dizendo: Eu tenho a for\u00e7a! Eu melhoro o ensino p\u00fablico do Oiapoque ao Chu\u00ed. Panfletando a cidade, num concerto de galos que rompem a aurora, com sopranos e tenores de todos os galinheiros e poleiros oficiais de Itoror\u00f3 em altos sons e em imbecis decib\u00e9is, conferindo g\u00eanero, numero e grau a uma cantilena sagrada nos meios de comunica\u00e7\u00f5es v\u00e1rios de todos os dias. O governo do PT de Itoror\u00f3 roga e conclama aos pais que matriculem seus filhos, de idade escolar, que a revolu\u00e7\u00e3o do ensino b\u00e1sico proposto pelo governo, desse governo que chegou para melhorar suas vidas. E tome-lhe um amontoado de meninos que boa parte s\u00f3 vai \u00e0 escola por causa da merenda, santa merenda que ameniza o ronco da cu\u00edca de suas barrigas e aliviam o bolso e a bolsa de suas fam\u00edlias, sem condi\u00e7\u00f5es de visualizar um horizonte prov\u00e1vel que os ampare na posteridade sonhada, os exclu\u00eddos. Esses que fazem parte do grupo que a presidenta Dilma quer erradicar de nossa sociedade, os miser\u00e1veis. Mas voltemos a Itoror\u00f3: No combate \u00e0 evas\u00e3o escolar, o prefeito conta com um grupo de artilheiros de primeira: R$ 2.096,68 reais por aluno, crian\u00e7as das egressas das classes C, D e E, matriculadas. Mas tem um \u201cpor\u00e9m\u201d aqui, ele, o Governo e a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o trocam seis por meia d\u00fazia, ou melhor, seis por tr\u00eas na aritim\u00e9tica do c\u00e3o e na malversa\u00e7\u00e3o desses R&amp; 2.096,68 reais, destinados para cada aluno da rede p\u00fablica. No calend\u00e1rio do ano letivo das escolas da rede p\u00fablica que \u00e9 para ser cumprido \u00e0 risca, consta de um n\u00famero de dias que os alunos t\u00eam obrigatoriamente de obedecer. 200 DIAS. Isto, come\u00e7ando rigorosamente no dia 6 de fevereiro e terminando no dia 13 de dezembro. Mas n\u00e3o \u00e9 assim que procede. Este ano, as aulas come\u00e7aram no dia 27 de fevereiro, iniciando uma saga heroica e retumbante no combate a evas\u00e3o escolar. Em Itoror\u00f3, nesse governo, as aulas come\u00e7am depois do in\u00edcio recomendado e termina antes do fim. Se cada aluno custa para n\u00f3s, 2.096,68 reais e as nossas escolas ao inv\u00e9s de obedecer ao calend\u00e1rio de 200 dias de aula ano, e a nossa Secretaria orienta ao contr\u00e1rio, subtrai alguns dias, E N\u00c3O S\u00c3O POUCOS DIAS, S\u00c3O MUITOS, em m\u00e9dia um quarto do per\u00edodo indicado por lei, isto \u00e9, capam 50 dias de aula desses alunos. Pela l\u00f3gica sobram 25% do dinheiro do FUNDEB para aplicar na pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o, correto? Nada correto ocorre com esse governo e com essa secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio. Esse \u00e9 uma das fontes de dinheiro que o governo reserva para fazer campanha pol\u00edtica para sua reelei\u00e7\u00e3o. O famoso caixa de campanha. Enfim, os alunos inocentes de nossa rede p\u00fablica, que freados pelas brides das mazelas seculares do governo contra o povo, dos que sangram nos l\u00e1bios os efeitos e os defeitos de uma educa\u00e7\u00e3o violenta e desastrosa, amparada por um governo impiedoso, de bra\u00e7os dados com uma Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-partid\u00e1ria, extremamente danosa e mal\u00e9fica, que combate a evas\u00e3o escolar matriculando alunos, e ao mesmo tempo reduzindo os dias de aula dessa classe afetada pelas mazelas do poder e seu absolutismo retr\u00f3gado, economizando o dinheiro do FUNDEB para sua manuten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vou chamar esse governo de med\u00edocre porque estarei fazendo um elogio, chamarei de mal\u00e9fico, porque outro adjetivo \u00e9 passar a m\u00e3o pela cabe\u00e7a daqueles que cuidam da educa\u00e7\u00e3o depondo contra o futuro de nosso dela. POR FIM, SECRETARIA DE EDUCA\u00c7\u00c3O DE ITOROR\u00d3 FAZ CAIXA COM O DINHEIRO DO FUNDEB, PARA CAMPANHA DE REELEI\u00c7\u00c3O DO PREFEITO ADROALDO.<\/p>\n<p>No \u201dfracasso de uma educa\u00e7\u00e3o, rural e urbana\u201d, que oferece &#8220;o circo antes do p\u00e3o&#8221; de Polan Lacki ele faz uma disseca\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico falido, cujo sistema conduz o estudante brasileiro ao futuro como se conduzisse homens aos matadouros clandestinos da realiza\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria, matando os seus sonhos, excluindo o seu real projeto do meio daqueles que fecundar\u00e3o o \u00f3vulo da prosperidade. Diz ele, que nos pa\u00edses latino-americanos, uma crescente porcentagem de jovens, rurais e urbanos, j\u00e1 est\u00e1 conseguindo concluir a escola fundamental e at\u00e9 a m\u00e9dia ou secund\u00e1ria. Lamentavelmente, este \u00eaxito \u00e9 mais aparente que real, pois em termos pr\u00e1ticos est\u00e1 produzindo resultados decepcionantes. Os jovens, agora mais escolarizados e com um horizonte de aspira\u00e7\u00f5es e ambi\u00e7\u00f5es ampliado, sentem-se frustrados, para n\u00e3o dizer enganados. Depois de estudar longos 11 anos, durante os quais alimentaram a ilus\u00e3o de que este esfor\u00e7o lhes ofereceria um futuro de oportunidades e de prosperidade, eles descobrem que n\u00e3o est\u00e3o aptos sequer a obter um modest\u00edssimo emprego; pois egressam do sistema escolar sem possuir as &#8220;qualidades&#8221; que os empregadores esperam e necessitam encontrar em um bom funcion\u00e1rio. Isto acontece porque o sistema de educa\u00e7\u00e3o, rural e urbano, n\u00e3o lhes proporciona os conhecimentos \u00fateis, as aptid\u00f5es necess\u00e1rias e nem sequer as atitudes e os valores que necessitam para serem bons empregados; tampouco os prepara para que sejam bons cidad\u00e3os e pais de fam\u00edlia que saibam educar, orientar, alimentar e cuidar da sa\u00fade dos seus filhos, etc. Falemos sem eufemismos, com exce\u00e7\u00e3o do que lhes foi ensinado nos tr\u00eas primeiros anos (ler, escrever, efetuar as 4 opera\u00e7\u00f5es aritm\u00e9ticas, aplicar a regra de tr\u00eas e conhecer o sistema m\u00e9trico), praticamente todos os demais conhecimentos s\u00e3o irrelevantes para que eles possam ter um melhor desempenho no trabalho e na vida pessoal, familiar e comunit\u00e1ria. Nesses oito anos subsequentes, os poucos conte\u00fados que poderiam ser \u00fateis geralmente s\u00e3o ensinados de maneira excessivamente te\u00f3rica, abstrata, fragmentada e desvinculada da vida e do trabalho, com o que se transformam em virtualmente in\u00fateis. Ent\u00e3o, se imp\u00f5e a seguinte pergunta: para que estudaram esses oito anos adicionais?<\/p>\n<p>Sejamos objetivos e realistas: qual \u00e9 a utilidade ou aplicabilidade na vida cotidiana que tem o ensino te\u00f3rico sobre os logaritmos, os determinantes, a geometria anal\u00edtica, a raiz quadrada e c\u00fabica? Ou o ensino &#8220;memor\u00edstico&#8221; sobre a hist\u00f3ria da Cle\u00f3patra ou da Imperatriz de Biz\u00e2ncio, os fara\u00f3s e as pir\u00e2mides do Egito, a hist\u00f3ria da Mesopot\u00e2mia e as altitudes das Montanhas Rochosas? Alguns defensores deste conservadorismo educativo afirmam que tais conte\u00fados s\u00e3o necess\u00e1rios para desenvolver a criatividade, a engenhosidade, o senso cr\u00edtico e problematizador, o esp\u00edrito de iniciativa dos educandos para oferecer-lhes uma suposta &#8220;forma\u00e7\u00e3o integral&#8221;. Pessoalmente, opino que existem formas mais inteligentes e produtivas para atingir tais objetivos. Conte\u00fados mais pr\u00f3ximos &#8211; no tempo e no espa\u00e7o &#8211; \u00e0s realidades cotidianas dos educandos seriam muito mais eficazes para desenvolver as suas potencialidades latentes, para estabelecer rela\u00e7\u00f5es entre causas e efeitos, para evitar que repitam os erros que foram cometidos no passado, etc. Outros te\u00f3ricos afirmam que \u00e9 necess\u00e1rio manter esses conte\u00fados para &#8220;democratizar&#8221; as oportunidades de acesso \u00e0 universidade, ignorando que, na maioria dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, apenas 5 ou 10% dos jovens t\u00eam esse privil\u00e9gio. Em tais condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 l\u00f3gico nem justo castigar e entediar os outros 95 ou 90% que n\u00e3o chegar\u00e3o \u00e0 universidade, fazendo-os estudar durante oito anos temas excessivamente te\u00f3ricos, abstratos, long\u00ednquos, n\u00e3o utiliz\u00e1veis e prescind\u00edveis, para n\u00e3o dizer in\u00fateis.<\/p>\n<p>Na din\u00e2mica do mundo contempor\u00e2neo, os educandos t\u00eam motiva\u00e7\u00f5es e interesses muito mais imediatos e concretos. A sua principal aspira\u00e7\u00e3o \u00e9 conseguir um trabalho bem remunerado para adquirir os bens e servi\u00e7os da vida moderna e para poder constituir uma fam\u00edlia pr\u00f3spera e feliz. Portanto, uma educa\u00e7\u00e3o realista dever\u00e1 ser orientada ao atingimento desses anseios e necessidades concretas e priorit\u00e1rias da maioria da popula\u00e7\u00e3o; e n\u00e3o a proporcionar-lhe uma crescente quantidade de informa\u00e7\u00f5es descontextualizadas e desconexas, que s\u00e3o irrelevantes e n\u00e3o utiliz\u00e1veis na solu\u00e7\u00e3o dos seus problemas cotidianos.<\/p>\n<p>A realidade concreta nos indica que, depois de concluir ou abandonar a escola fundamental e m\u00e9dia, a grande maioria dos educandos rurais:<\/p>\n<p>A &#8211; em uma primeira etapa, v\u00e3o dedicar-se a atividades agropecu\u00e1rias, como produtores ou como empregados rurais, nas quais fracassam, principalmente, porque a escola rural preferiu ensinar-lhes a hist\u00f3ria do Imp\u00e9rio Romano ou o Renascimento Franc\u00eas, em vez de ensinar-lhes a produzir, administrar as propriedades rurais e comercializar as suas colheitas com maior efici\u00eancia; ignorando que este \u00e9 o primeiro requisito para que possam incrementar a sua renda e, gra\u00e7as a ela, sobreviver com dignidade no meio rural.<\/p>\n<p>B &#8211; em uma segunda etapa, depois de fracassar nas atividades rurais, esses ex-agricultores e os seus filhos migram para as cidades onde ser\u00e3o serventes da constru\u00e7\u00e3o civil, pedreiros, pintores ou marceneiros, motoristas, manobristas e guardadores de autom\u00f3veis, policiais e vigilantes, cozinheiros e gar\u00e7ons, balconistas e vendedores ambulantes, empregadas dom\u00e9sticas ou faxineiras de escrit\u00f3rios e de edif\u00edcios residenciais, garis, burocratas e oper\u00e1rios das empresas p\u00fablicas e privadas, etc, pois, no mundo moderno, s\u00e3o essas atividades urbanas, as grandes ocupadoras de m\u00e3o-de-obra.<\/p>\n<p>Isto significa que os conte\u00fados curriculares das escolas rurais n\u00e3o responderam \u00e0s necessidades dos pais e agora os conte\u00fados das escolas urbanas n\u00e3o respondem \u00e0s necessidades concretas dos seus filhos. Para que essas maiorias possam realizar-se como pessoas e sejam mais eficientes e produtivas, necessitam de conhecimentos que sejam \u00fateis e aplic\u00e1veis para melhorar o desempenho nas ocupa\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias rec\u00e9m-mencionadas e, especialmente para que possam desempenhar, com efici\u00eancia, outras atividades que s\u00e3o mais valorizadas pela sociedade e pelo mercado de trabalho. O verniz pseudo-cultural e intelectual, t\u00e3o frequente nos nossos obsoletos curr\u00edculos, n\u00e3o contribui ao atingimento de nenhum desses dois objetivos; pois os potenciais empregadores n\u00e3o est\u00e3o muito interessados em saber se os jovens candidatos a um emprego conhecem a biografia de Montesquieu, Robespierre ou Richelieu.<\/p>\n<p>O abismo existente entre aquilo que o sistema de educa\u00e7\u00e3o ensina e o que os educandos realmente necessitam aprender \u00e9 simplesmente inaceit\u00e1vel. Ele \u00e9 t\u00e3o prejudicial \u00e0 nossa juventude, ao setor produtivo e ao futuro das nossas na\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o podemos continuar aceitando inconsistentes teoriza\u00e7\u00f5es, justificativas e elucubra\u00e7\u00f5es dos &#8220;especialistas&#8221; que insistem em manter nos curr\u00edculos o sup\u00e9rfluo, em vez de substitu\u00ed-lo pelo essencial. A sociedade como um todo, dever\u00e1 exigir que o sistema de educa\u00e7\u00e3o adote transforma\u00e7\u00f5es radicais, corajosas e imediatas; porque as medidas cosm\u00e9ticas adotadas pelo referido sistema nas \u00faltimas d\u00e9cadas demonstraram ser mal priorizadas\/direcionadas, insuficientes e ineficazes. Os cidad\u00e3os, que atrav\u00e9s dos seus impostos est\u00e3o financiando esse anacr\u00f4nico sistema de educa\u00e7\u00e3o e pagando as consequ\u00eancias dessa m\u00e1 qualidade educativa, t\u00eam todo o direito de exigi-lo; e o sistema de educa\u00e7\u00e3o tem o dever de acatar essa just\u00edssima reivindica\u00e7\u00e3o. Os conte\u00fados que a maioria dos educandos, provavelmente, nunca utilizar\u00e1 dever\u00e3o ser sumariamente extirpados dos curr\u00edculos e substitu\u00eddos por outros que tenham uma maior probabilidade de ser utilizados pela maioria dos educandos, durante o resto das suas vidas. \u00c9 necess\u00e1rio oferecer-lhes uma educa\u00e7\u00e3o que os ajude a que, eles mesmos, possam transformar as suas realidades adversas, corrigir as suas inefici\u00eancias e solucionar os seus problemas cotidianos.<\/p>\n<p>As crescentes multid\u00f5es de desempregados e subempregados, pobres e miser\u00e1veis que n\u00e3o t\u00eam dinheiro para pagar um teto digno, comprar os alimentos e os rem\u00e9dios ou mandar os seus filhos para a escola, para o m\u00e9dico e para o dentista, necessitam, em primeir\u00edssimo lugar, de uma educa\u00e7\u00e3o \u00fatil, no sentido de que as habilite a conseguir um trabalho\/emprego gerador de um sal\u00e1rio razo\u00e1vel, com o qual possam satisfazer as necessidades prim\u00e1rias de sobreviv\u00eancia das suas fam\u00edlias. Estas multid\u00f5es de &#8220;mal-educados&#8221; pelas nossas escolas n\u00e3o est\u00e3o muito interessadas em saber qual \u00e9 a altitude do Everest ou a extens\u00e3o do Rio Nilo; tampouco em conhecer a hist\u00f3ria das competi\u00e7\u00f5es e batalhas que ocorreram no Circo M\u00e1ximo ou no Coliseu de Roma. Depois que adquiram os conhecimentos necess\u00e1rios para serem empregados mais produtivos, melhores cidad\u00e3os e bons pais de fam\u00edlias eles poder\u00e3o buscar as oportunidades e as fontes para adquirir os outros conhecimentos que satisfa\u00e7am as suas curiosidades e os seus interesses intelectuais e culturais. Estas oportunidades e fontes n\u00e3o necessariamente dever\u00e3o ser proporcionadas atrav\u00e9s do sistema de educa\u00e7\u00e3o formal (escolarizado). \u00c9 compreens\u00edvel que os privilegiados da sociedade que j\u00e1 t\u00eam acesso ao p\u00e3o desejem ir ao circo. Entretanto, a prioridade da grande maioria constitu\u00edda pelos n\u00e3o privilegiados, pelos pobres, pelos sofridos e pelos abandonados \u00e9 diferente, eles querem primeiro o p\u00e3o, depois o circo.<\/p>\n<p>E para concluir, a seguinte reflex\u00e3o que \u00e9 adequada ao atual desafio da nossa educa\u00e7\u00e3o: &#8220;\u00c9 preciso navegar, deixando atr\u00e1s as terras e os portos dos nossos pais e av\u00f3s; nossos navios t\u00eam de buscar a terra dos nossos filhos e netos, ainda n\u00e3o vista, desconhecida&#8221; \u2013 Nietzsche<\/p>\n<p><em><strong>Milton Marinho<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Perdoe-me apreciadores de meu mediano texto, gostaria que voc\u00eas fossem at\u00e9 o fim. A estrada \u00e9 longa, \u00e9 maior que a mat\u00e9ria e sua transcri\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver dissecado sobre a mesa de opera\u00e7\u00e3o adiante. 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