
{"id":10613,"date":"2011-11-18T17:58:16","date_gmt":"2011-11-18T20:58:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/?p=10613"},"modified":"2013-01-23T09:18:28","modified_gmt":"2013-01-23T12:18:28","slug":"itapetinga-pedra-branca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sudoestehoje.com.br\/novoportal\/2011\/11\/18\/itapetinga-pedra-branca\/","title":{"rendered":"ITAPETINGA, PEDRA BRANCA"},"content":{"rendered":"<p><em>* Juscelino Souza<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_vUOcWuSsxyQ\/SjpFI267xqI\/AAAAAAAAFuA\/ACCCqOd6c3A\/s200\/DSC02034.JPG\" alt=\"\" \/>Anos 70. Eu, crian\u00e7a, aos cinco anos de idade e rec\u00e9m-chegado da ro\u00e7a, me vi apresentado \u00e0 professora Maria Sampaio, de saudosa mem\u00f3ria, no Conjunto Assistencial Dr. Guilherme Dias, na Rua Potiragu\u00e1, mesma rua onde vivi alguns dos melhores momentos da minha vida. Ali, na imensid\u00e3o daquela sala de aula, no primeiro e mais antigo m\u00f3dulo, meus primeiros ensinamentos pedag\u00f3gicos sobre o mundo exterior. M\u00faltiplos aprendizados, profus\u00e3o de saberes para uma cabe\u00e7a pueril e muito conte\u00fado assimilado at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n<p>Deixei meu torr\u00e3o natal em 1992, depois de passar pelo \u201cPolivalente\u201d e \u201cAlfredo Dutra\u201d, para tentar a sorte em terras n\u00e3o t\u00e3o distantes, mas completamente desconhecidas por mim. Aportei em Vit\u00f3ria da Conquista, a 100 km de dist\u00e2ncia de casa e a milhares e milhares de milhas de saudade dos meus pais, dos meus irm\u00e3os, dos meus amigos.<\/p>\n<p>Muito ficou para tr\u00e1s e outro igual volume veio comigo. Deixei minha Itapetinga, que aprendi se chamar \u201cPedra Branca\u201d na l\u00edngua Tupi em alus\u00e3o \u00e1 grande quantidade dessa rocha, especialmente ao longo dos rios Pardo e Catol\u00e9.<\/p>\n<p>Itapetinga, minha querida \u201cpedra branca\u201d, que saudades dos bons tempos, da Biblioteca, da Concha Ac\u00fastica, da ACI, dos carnavais, das gincanas. Com raras e honrosas exce\u00e7\u00f5es, muitos espa\u00e7os agora est\u00e3o ocupados por uns poucos para uso coletivo de drogas.<\/p>\n<p>Infelizmente nos dias atuais a conhecida \u201cterra firme do gado forte\u201d, das monumentais exposi\u00e7\u00f5es no Parque Juvino Oliveira, j\u00e1 n\u00e3o se mostra \u201ct\u00e3o firme e t\u00e3o forte\u201d.<\/p>\n<p>Das noites de lua cheia que iluminava os bate-papos na porta de casa, sem receio do \u201clobisomem\u201d, da \u201cmula sem cabe\u00e7a\u201d e dos vultos que povoam a inf\u00e2ncia, restam apenas saudades. Agora o medo \u00e9 outro: assaltos, bala perdida, arrombamentos, execu\u00e7\u00f5es em plena luz do dia\u2026<\/p>\n<p>O que fizeram da minha Itapetinga, das festas de largo, dos tempos em que dormir com portas e janelas abertas era s\u00edmbolo de confian\u00e7a da hospitalidade do nosso povo? Portas e janelas abetas depois das 18 horas, s\u00f3 em raras ocasi\u00f5es. Voltar a p\u00e9 (ou de carro, ou moto) depois das 22 horas de uma festa j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais seguro.<\/p>\n<p>Com a quebra da monocultura da pecu\u00e1ria, advinda do p\u00f3lo industrial, Itapetinga experimentou um progresso repentino e, na esteira do avan\u00e7o econ\u00f4mico, pagou um alto pre\u00e7o: perdeu a tranquilidade, viu se despedir do seu solo a pureza da grande maioria do seu povo.<\/p>\n<p>Em troca, bols\u00f5es de mis\u00e9ria patrocinados por recorrentes invas\u00f5es de terrenos urbanos, sem infraestrutura e invas\u00e3o desenfreada de traficantes de drogas oriundos de todos os cantos e recantos do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Perdeu-se o respeito aos mais velhos, tomar a \u201cben\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 cafonice, desafiar autoridade constitu\u00edda \u00e9 tido como normal e invadir espa\u00e7os p\u00fablicos, como fizeram no Plen\u00e1rio da C\u00e2mara Municipal, \u00e9 fato.<\/p>\n<p>Tatuar o nome do pai, da m\u00e3e, da namorada ou do filho (a), parecia agress\u00e3o f\u00edsica aos mais recatados, nos anos 80, mas hoje, em vez disso, \u00e9 sinal de respeito\u2026 Respeito aos chefes do tr\u00e1fico, como fazem dezenas de seguidores de \u201cS\u00e9rgio Freudenthal\u201d, o mesmo que liderou a criminosa ocupa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara este ano.<\/p>\n<p>Por fim, lan\u00e7o um apelo aos homens de bem, itapetinguenses ou n\u00e3o, para fazermos frente a esse avan\u00e7o il\u00edcito em nossos espa\u00e7os e frear os que desafiam a lei.<\/p>\n<p>Esque\u00e7amos as dist\u00e2ncias pessoais, as disputas pol\u00edticas e partamos para as pol\u00edticas p\u00fablicas. Unindo for\u00e7as, somando esfor\u00e7os, vamos devolver a paz \u00e1 Itapetinga antes que a nossa hist\u00f3rica \u201cpedra branca\u201d de verdade n\u00e3o se torne conhecida como a \u201cpedra branca\u201d de crack.<\/p>\n<p><em>* Jornalista do Grupo A TARDE (<\/em><a href=\"http:\/\/www.atarde.com.br\/\" target=\"_blank\"><em>www.atarde.com.br<\/em><\/a><em>) desde 1994, com passagens pelas r\u00e1dios Jornal e Cidade de Itapetinga, 100,1 (atual rede Transam\u00e9rica), assessorias de comunica\u00e7\u00e3o do SEBRAE e Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, editor do Jornal A Conquista, produtor de jornalismo da TV Sudoeste e TV Cabr\u00e1lia e com textos publicados nos mais importantes jornais e revistas do Pa\u00eds.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Juscelino Souza Anos 70. 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